quarta-feira, 12 de agosto de 2020

O nó do laço

Por que ela é boa? Porque é óbvio né... Quando ela te recomendou não conversar com a fulana foi porque entendeu que tu ia fazer besteira! “Olha, não fala nada ainda, vamos conversar melhor sobre isso na volta...” Porque na volta tu ia ter desistido dessa doideira, tu irias passar uma semana tranquilo com a família, sendo grato pelos filhos e pela grande mulher que tens ao teu lado, firme em todos os momentos enquanto tu te debate entre peso e leveza, riso e pranto... Iam tratar de assuntos práticos, você a presentearia e ouviria agradecimentos e afagos no ego, sentindo-se um homem bom e digno, sem derrotas... passearia com com os pequenos e perceberia que não precisa de nada mais que isso... Porque ela é teu escudo e a força que te levanta etc. Ela é boa porque constatou o óbvio, tu só tá cansado da rotina e quer algo novo... E achou... Achou algo completamente diferente do que tu tinha, em tudo, ou quase tudo, porque o restante tu não pudeste por a prova... Mas foi bom assim, porque talvez isso mudasse um pouco o rumo da coisa... Taurinamente, pesadamente, acomodadamente, não quiseste te levantar, sentaste com peso e furia e alí ficastes... A promessa de algo diferente fez com que te erguestes, mas... Nada de movimento... Bufaste ao perceber que tua zona de conforto te ficaria desconfortável... Que sairia dela... Que realmente faria novas coisas... Não, não vale a pena... Tão bom aqui... E ela, tinha razão e por certo estaria satisfeita como excelente profissional que era! Mais um que salvo! Como sou boa... Que signo será ela, me pergunto. Por que estou mais ou menos? Ah, meu querido... Porque estou me sentindo uma imbecil no exato momento que falo contigo e ouço musica popular brasileira com a Ana Carolina dizendo que eu e você não é assim tão complicado... Tenho um maldito nó que oscila entre o estômago e a garganta, só que dali não sai. Não dá asía, mal estar ou vomito. Não explode em pranto e muito menos em choro contido. A lágrima vem até o olho como se o nó, aquele do estômago que vai parar na garganta, a empurrasse. Quase consegue coitada, dar uma escorregadela na face... Ah esse quase... Me matando e me apertando todos os dias... Me torturando por não ter aguentado e mandado mensagem quase meia noite pra saber da bendita terapia que tinha provado para mim, para a terapeuta e pra você que era fogo de palha... Quer que eu te conte? O que? Já sei! Vou te contar... Olha, eu gosto de você e não sei quanto tempo isso vai durar... Eu gosto de você e isso desequilibrou minha existência porque a mesma felicidade em te encontrar provou ser a maior infelicidade pelo mesmo motivo... Teu perfil perfeito! Tão novo, tão cru... Tão pequeno, um brotinho nascendo num coração triste e magoado pela vida, controlado pela fé e pela promessa... Teu jeitinho de me beijar com os olhos, de fazer com que eu tivesse vontade de ver clarear o dia sem correr ninguém da minha cama... Com a comodidade de não precisar ser chão ou paradeiro... Pois na verdade pouco sei cuidar de mim... Tua invasão na minha intimidade a ponto de fazer eu pensar... To acomodando aqui sabe o que? To acomodando aqui a distância, que não é só física... To acomodando esse oceano imaginário, esse abismo instaurado... Esse iceberg nas palavras... Essa infeliz certeza de que teria sido bem legal... Não sei se passar a vida inteira e ter uma família doida, mas aquele pega gostoso, aquela troca de sabores... e de carinho por supuesto. To acomodando aquelas cinco palavrinhas que me assustam porque levo muito a sério e que... Nossa, na tua boca parecem saliva... “Uma noite longa e uma vida curta... To te esperando, vê se não vai demorar” E a trilha musical só piora a situação. E ao invés de tirar o fone insisto aqui em ficar pondo palavrinhas na página pra ver se a droga do nó desata e transborda... Mas... Nada... Agora só o nó e a neurose de corrigir a maldita escrita... Como se fosse ser lida por alguém... Como se você fosse ler e entender que só to triste e demolida, porque nunca na minha existência, nem na adolescência, algo arrasou tanto comigo em tão pouco tempo... Acho que acenei o pano vermelho e me deixei atingir... Não to provocando ninguém... Não quero saber da tua teimosia que nega o óbvio... Porque o nó está aqui. E se é nó... Deixou de ser laço...

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